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Relatório Psicológico: Como Fazer, Estrutura Completa e Modelos Prontos

Atualizado em: Novembro de 2025

Relatório Psicológico na mesa de um consultório

O que é um Relatório Psicológico?

O Relatório Psicológico é um documento técnico que tem por finalidade comunicar a atuação profissional do psicólogo. Diferente do laudo, que é focado no diagnóstico final, o relatório narra o percurso, descreve o acompanhamento e pode fazer encaminhamentos, sempre baseado em fundamentação técnica e ética.

Para que serve um Relatório Psicológico?

Sua função principal é registrar e comunicar informações relevantes sobre o atendimento prestado. Ele é frequentemente solicitado por:

  • Médicos (para ajuste de medicação);
  • Escolas (para adaptação curricular);
  • Justiça (para comprovação de acompanhamento);
  • Empresas (para justificar afastamentos ou retorno ao trabalho).

Diferença entre Laudo, Parecer e Relatório

DocumentoFinalidade PrincipalCaráter
RelatórioComunicar atuação e encaminhar.Descritivo / Narrativo
LaudoApresentar diagnóstico conclusivo.Investigativo / Final
ParecerOpinar sobre uma questão específica.Opinativo / Técnico

Quando usar cada documento

Use o Relatório quando precisar descrever o processo terapêutico. Use o Laudo apenas após uma Avaliação Psicológica formal completa. Use o Parecer quando for solicitado a analisar um documento ou situação já existente.

Estrutura Oficial do Relatório Psicológico (CFP 06/2019)

Conforme a resolução vigente, todo relatório deve conter obrigatoriamente os seguintes tópicos:

1. Identificação

Dados do sujeito (nome, idade) e do profissional (nome, CRP) e do solicitante.

2. Descrição da demanda

O motivo que levou à produção do documento e a queixa principal.

3. Procedimentos e instrumentos utilizados

Descrição das técnicas (entrevistas, testes, observação) e número de sessões.

4. Análise e discussão dos resultados

A parte mais importante. A integração teórica dos dados colhidos, sem apenas listar sintomas, mas compreendendo o funcionamento do sujeito.

5. Encaminhamentos e recomendações

Sugestões terapêuticas (ex: psiquiatria, fonoaudiologia, continuidade da terapia).

6. Fechamento e assinatura

Local, data e assinatura com carimbo do psicólogo.

Como Fazer um Relatório Psicológico Passo a Passo

Elaborar um documento técnico exige método. Seguir um fluxo lógico garante que você não esqueça informações cruciais e mantenha a coerência do início ao fim.

Guia prático para montar relatórios consistentes

  • 1. Coleta de Dados Robusta: Antes de escrever, tenha em mãos a anamnese, resultados de testes (se houver) e registros das sessões. Um bom relatório nasce de uma boa avaliação.
  • 2. Triangulação das Informações: Não descreva os dados isoladamente. Cruze o que o paciente disse (relato) com o que você observou (comportamento) e o que os instrumentos mostraram.
  • 3. Linguagem Técnica e Acessível: Use termos técnicos da psicologia, mas garanta que o solicitante (seja um juiz ou um médico) entenda o que está escrito. Evite o "psicologês" hermético.
  • 4. Revisão: Jamais entregue sem revisar a gramática e, principalmente, a coerência técnica. A conclusão deve ser uma consequência lógica da análise.

Erros comuns que devem ser evitados

  • Rotulação: Evite afirmar "Ele é agressivo". Prefira descrever: "Apresentou comportamentos de agressividade em contextos de frustração".
  • Falta de Fundamentação: Fazer afirmações graves (como sugerir abuso ou transtorno) sem dados concretos que sustentem a hipótese.
  • Opiniões Pessoais: O relatório é técnico, não um espaço para julgamentos morais ou crenças pessoais do psicólogo.

Recomendações éticas

Sempre baseie-se no Código de Ética Profissional. Lembre-se do sigilo: escreva apenas o estritamente necessário para responder à demanda do solicitante. Em casos judiciais ou escolares, proteja a intimidade do paciente omitindo detalhes que não impactam na conclusão técnica.

Modelos de Relatório Psicológico Prontos (Word/PDF)

Abaixo, selecione o modelo desejado, copie e adapte para sua necessidade:

📄 Modelo 1: Relatório Psicológico Clínico
I. IDENTIFICAÇÃO Nome: [Nome do Paciente] Idade: [Idade] Solicitante: [Psiquiatra/Próprio]II. DESCRIÇÃO DA DEMANDA O presente relatório foi solicitado para fins de acompanhamento compartilhado com a psiquiatria. O paciente encontra-se em atendimento psicológico desde [Data], com queixas iniciais de ansiedade e insônia.III. PROCEDIMENTO Sessões semanais de psicoterapia individual, com duração de 50 minutos, baseadas na abordagem [Sua Abordagem].IV. ANÁLISE O paciente apresenta evolução positiva na regulação emocional, embora persistam sintomas de ativação autonômica (taquicardia) em situações de estresse laboral. Observa-se boa adesão ao tratamento e crítica preservada sobre seu estado.V. CONCLUSÃO Sugere-se a manutenção do tratamento psicoterápico e avaliação médica para manejo dos sintomas físicos da ansiedade.[Cidade], [Data] [Assinatura e CRP]
🧸 Modelo 2: Relatório Psicológico Infantil
I. IDENTIFICAÇÃO Criança: [Nome], [Idade] Escola: [Nome da Escola]II. DEMANDA Encaminhado pela escola devido a comportamentos de agressividade e isolamento social.III. ANÁLISE Durante os atendimentos lúdicos, a criança expressou conteúdos relacionados a conflitos familiares recentes. Observa-se dificuldade na regulação da frustração, porém com boa capacidade cognitiva e de aprendizado. Não foram observados indicadores de transtornos do neurodesenvolvimento até o momento.IV. CONCLUSÃO Indica-se a continuidade da ludoterapia e orientação periódica aos pais para manejo comportamental em casa.
🏫 Modelo 3: Relatório Psicológico Escolar
I. IDENTIFICAÇÃO Aluno: [Nome] Série: [Ano]II. OBJETIVO Informar sobre o acompanhamento psicológico do aluno para fins de adaptação escolar.III. ANÁLISE O aluno encontra-se em acompanhamento para manejo de sintomas de TDAH. No ambiente terapêutico, tem trabalhado funções executivas e organização. É fundamental que a escola ofereça tempo estendido para provas e local com poucos distratores, conforme previsto em lei para alunos com neurodivergência.IV. ENCAMINHAMENTO Coloco-me à disposição da coordenação pedagógica para alinhar estratégias.
🤝 Modelo 4: Acompanhamento Terapêutico (AT)
I. IDENTIFICAÇÃO Paciente: [Nome]II. PROCEDIMENTO Realização de Acompanhamento Terapêutico (AT) em ambiente extra-consultório, com frequência de 2x por semana.III. ANÁLISE O trabalho de AT tem focado na ressocialização e autonomia do paciente. Observa-se melhora na capacidade de circular pela cidade e realizar compras de forma independente, reduzindo o isolamento social característico do quadro clínico.IV. CONCLUSÃO O trabalho de AT deve continuar para consolidar os ganhos de autonomia.
💼 Modelo 5: Relatório Organizacional
I. IDENTIFICAÇÃO Colaborador: [Nome] Setor: [Área]II. DEMANDA Avaliação de aptidão para retorno ao trabalho após afastamento.III. ANÁLISE O colaborador demonstra, no momento, estabilidade emocional e recursos psíquicos adequados para o retorno às suas funções laborais. Recomenda-se, se possível, um retorno gradual de atividades nas primeiras duas semanas para readaptação.IV. CONCLUSÃO Apto para o retorno ao trabalho.

Exemplos Comentados (para facilitar sua escrita)

A diferença entre um relatório amador e um profissional está na forma como as informações são descritas. Veja abaixo um comparativo prático:

Trecho de exemplo com explicação

❌ Forma Inadequada (Rotulação e Julgamento):

"O paciente é depressivo e preguiçoso, não tem vontade de fazer nada. É uma pessoa muito triste que precisa de remédio urgente."

✅ Forma Adequada (Descrição Técnica e Fenomenológica):

"O paciente apresenta humor hipotímico (rebaixado) persistente, associado à anedonia (perda de capacidade de sentir prazer) em atividades anteriormente valorizadas. Tais sintomas têm impactado significativamente sua funcionalidade laboral e social."

Explicação: No segundo exemplo, utilizamos termos técnicos (hipotimia, anedonia) e descrevemos o impacto funcional do sintoma, em vez de apenas julgar o caráter ou estado do paciente.

FAQ – Perguntas Frequentes

Posso usar modelo pronto de relatório?

Você pode usar modelos como estrutura base para organizar o documento, mas o conteúdo (a análise qualitativa) deve ser sempre personalizado e único para cada paciente, sob pena de falta ética.

O relatório pode conter diagnóstico?

Sim, o psicólogo pode utilizar a CID (Classificação Internacional de Doenças) para fundamentar sua análise e hipótese diagnóstica, desde que tenha competência técnica para tal avaliação.

Qual o tamanho ideal de um relatório?

Não há tamanho fixo estipulado. Ele deve ser sucinto o suficiente para ser lido com clareza, mas completo o bastante para transmitir a informação técnica necessária. Geralmente, ocupa de 1 a 2 páginas.

Quem pode solicitar um relatório psicológico?

O relatório pode ser solicitado pelo próprio paciente, por outros profissionais de saúde (médicos, fonoaudiólogos), escolas, empresas, plano de saúde ou pelo poder judiciário.

Preciso guardar cópia do relatório?

Sim. É obrigatório manter uma cópia de todo documento emitido no prontuário do paciente, pelo prazo mínimo de 5 anos, conforme normas do Conselho Federal de Psicologia.

Estudante de psicologia pode assinar relatório?

O estudante não pode assinar sozinho, pois não possui CRP. Em contextos de estágio, ele pode elaborar e assinar o documento em conjunto com seu supervisor psicólogo responsável, que responderá tecnicamente pelo ato.

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